SIGNIFICADO DO DESENHO DA SEMANA DO MIGRANTE-2016
O título da ilustração para a Semana do
Migrante do ano 2016 é PHISIS, se pronuncia ‘físis’, uma palavra grega que
significa literalmente ‘natureza’, ou seja, a totalidade das coisas que
existem, nascem, vivem e morrem.
Phisis é o mundo da Vida, a nossa
Terra, que se oferece ao nosso olhar, à nossa experiência cotidiana. Somos
parte dela, e ela é nossa raiz.
O rosto feminino representado é
materno, porque a Terra gera, é mãe, mas no mesmo tempo é jovem, filial, porque
a Terra precisa de cuidado, não é capaz de sobreviver às inúmeras violências,
exige que seus mesmos filhos a defendam.
Filhos que a perpassam em todos os
sentidos, em todos os aspectos e biomas que a compõem: água, ar, terra,
superfícies, alturas, profundezas, macro e micro.
A terra, feita de matéria plural é o
nosso ser em continua mudança, a alma dela é o movimento: não consegue parar,
mesmo quando doente, sofredora, oprimida.
A terra fecha os olhos para que as
injustiças a serem encaradas não a ceguem, e também para encontrar a força no
que é invisível: a trilha espiritual não é fora, é dentro!
A mãe terra não tem mãos, ela produz
com as nossas, é acolhedora, aceita a nossa energia transformativa, mas também
não tem como concertar nossos estragos.
Alagamentos, destruição,
desmoronamentos de represas, enchentes, terremotos, tsunamis, incêndios,
desmatamentos e exploração exacerbada: tudo o que ela sofre a fere e fere por
sua vez quem a habita: o estilo dela é radical, totalizante, e permeia o dia-dia
de qualquer um. Ela não tem pernas: não foge, e dela não se escapa.
A terra grita a alegria de cada arvore
que nasce e chora silenciosa em cada floresta que morre.
Uma das mais intensas realidades da
natureza é a mobilidade: a humanidade migrante flui como lágrima no rosto da
Terra levada pela imensa esperança de alcançar uma Terra boa, para cicatrizar
as feridas, para re-nascer, e viver novamente.
A alma de quem migra descobre o futuro
no mais bonito dos aspectos da Mãe Terra, o caminho. Cada passo uma reza,
caminhar é natu-rezar.
Sérgio Ricciuto
